Mostra Retrospectiva Jorge Bodanzky

Jorge Bodanzky é cineasta e fotógrafo e nasceu em São Paulo, em 1942. Flho de pais austríacos, cursou a Universidade de Brasília (UnB) e formou-se em cinema pela Hochshule für Gestaltung – HFG [Escola Superior da Forma], em Ulm, Alemanha. Como diretor e câmera, realizou documentários e outras produções cinematográficas com nomes como Hector Babenco, Antunes Filho, Maurice Capovilla, José Agripino de Paula, Reinhard Kahn, entre outros.

Sua estreia como diretor de cinema foi com o documentário Iracema – uma transa amazônica, em 1976, o seu mais conhecido e premiado filme, considerado um marco no cinema documental. O filme denunciava a questão, até então obscura, da devastação da floresta amazônica e do modelo equivocado de ocupação da região. Produzido para a ZDF da Alemanha, o filme ficou censurado por seis anos no Brasil. Seu acervo fotográfico analógico foi adquirido pelo Instituto Moreira Salles (IMS) em 2013.

Este ano, o PirenópolisDoc homenageia o diretor realizando uma mostra especial com quatro obras marcantes de sua filmografia, sendo Iracema – Uma Transa Amazônica, o filme de abertura do festival. Após a exibição de abertura, haverá um debate com a presença do Diretor, que responde também na programação deste ano, pelo curso de Cinema Documentário Contemporâneo.

 


Iracema, Uma Transa Amazônica – Filme de Abertura do Festival (15/08 – 19h30)

90’| Brasil | Classificação 16 anos

Em 1970, um motorista de caminhão, sulista, em Belém do Pará, durante as festas do Círio de Nazaré, conhece Iracema, uma jovem índia prostituída. Dá-lhe uma carona, deixando-a num lugarejo no meio da estrada. A viagem, como todo o filme, serve como pretexto para que sejam mostrados os problemas da região – desmatamento, más condições de trabalho e saúde, venda de camponeses – em confronto com a fantasiosa propaganda institucional.

 


No meio do rio, entre as árvores

73′ | Brasil | Classificação Livre

Este filme é o resultado de uma expedição ao Alto Solimões, onde foram ministradas oficinas de vídeo, circo e fotografia às comunidades ribeirinhas, dentro de reservas ambientais. O filme é feito por pessoas dessas comunidades a partir da tecnologia recém-aprendida e com a visão “de dentro para fora”, sem intérpretes. Do coração da Amazônia para o mundo, ficamos sabendo como é o cotidiano de pessoas que habitam rincões remotos do Brasil. Assim como o que pensam, quais os seus sonhos e como resolvem os problemas que enfrentam por viverem no meio do rio, entre as árvores.

 


O Clique único de Assis Horta

15′ | Brasil | Classificação Livre

Documentário sobre o fotógrafo mineiro Assis Horta, que imortalizou o patrimônio arquitetônico e a sociedade de Diamantina. O grande impulso de sua carreira veio em 1943, com a Consolidação das Leis do Trabalho, promulgada por Getúlio Vargas. Ao tornar obrigatória a carteira profissional com foto, Vargas deu o empurrão que faltava para a classe trabalhadora entrar no estúdio fotográfico de Horta. Nos anos que se seguiram, o fotógrafo retratou centenas de pessoas. Em 3×4 ou de corpo inteiro, muitos tiraram então seu primeiro retrato.

 


Terceiro Milênio

90′ | Brasil | Classificação Livre

Agosto de 1980. Evandro Carreira, Senador, sai de seu diretório em Manaus para percorrer suas bases eleitorais pelo estado do Amazonas. Depoimentos de caboclos, de madeireiros, do sertanista Paulo Lucena, de índios brasileiros e peruanos, e de um representante da Funai são colhidos desde a cidade de Benjamin Constant até o vilarejo de Cavalo Cocho. Uma visita à aldeia indígena dos Ticunas e às terras do povo Maiuruna culmina com o depoimento e a ação de José Francisco da Cruz, representante da cruz da Santa Ordem Cruzada Apostólica Evangélica. No trajeto, revela-se a potencialidade econômica do Amazonas e seus desvios: a corrupção na política indigenista e a presença de fábricas poluidoras.